Grandes empresas usam ações de marketing para encobrir irregularidades

A responsabilidade social corporativa, isto é, o envolvimento de grandes empresas com causas sociais e ambientais, tornou-se em muitos casos mera estratégia de marketing para encobrir irregularidades, evidencia o professor Paulo Feldmann, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, em artigo publicado recentemente.

“Infelizmente está virando uma fraude”, discorre o economista sobre a responsabilidade social corporativa, e avança: “É algo que começou de uma forma muito bonita. As empresas pareciam realmente empenhadas em ajudar a sociedade, contribuir com o meio ambiente, diminuir a desigualdade”. Porém, “com o passar dos anos, se verificou que não é bem assim”, frisa Feldmann.

Essa tese ganha força, clareza, quando empresas ditas socialmente responsáveis são protagonistas de escândalos. “A contradição, a hipocrisia, ficam evidentes”, comenta Feldmann, relembrando episódios marcantes: “Aqui no Brasil tivemos um caso emblemático, a Vale. Primeiro a tragédia em Mariana. Ela continuou se dizendo socialmente responsável. Depois veio Brumadinho, mais de 400 mortes causadas por uma empresa que se diz socialmente responsável”.

O professor pondera que há casos de empresas que realmente contribuem com a sociedade, “mas que isso é exceção”. Feldmann cita o Prêmio Nobel de Economia, Milton Friedman, ao dizer que “não existe almoço grátis”. Em síntese, as empresas existem para dar lucro; querer que elas contribuam socialmente, de forma espontânea, é ingenuidade, na visão do professor. Contudo, Feldmann acredita que as grandes corporações têm que contribuir com a sociedade e para que isso ocorra é necessário uma pressão social e governamental, além de mecanismos efetivos de fiscalização.

*Trechos da matéria publicada no “Jornal da USP”.

**Foto: Folha de São Paulo.

Após canil ser fechado por maus-tratos, rede Petz anuncia que vai deixar de vender filhotes

*Título e conteúdo retirado da matéria publicada no site G1 Sorocaba e Jundiaí. Foto no destaque: divulgação / Petz.

A rede de pet shop Petz anunciou nesta quarta-feira (20) que não vai mais vender filhotes em suas 82 lojas espalhadas pelo país. A decisão foi tomada após o fechamento do canil Céu Azul, em Piedade (SP), por suspeita de maus-tratos.

O canil, que abrigava mais de 1.700 animais de raça – centenas deles em más condições de saúde -, tinha entre seus clientes a rede de lojas. A denúncia de maus-tratos no canil foi confirmada pela Polícia Ambiental e ONGs que estiveram no local.

“O grupo Petz decidiu não vender mais filhotes em suas 82 lojas em todo o país. A partir de agora, a rede de pet shops só terá cães e gatos para adoção em parceria com ONGs do projeto Adote Petz”, diz a nota da assessoria de imprensa.

Segundo a rede, o espaço que antes tinha filhotes de raça será destinado a ONGs e protetores para promover eventos de adoção.

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Comentário

Algumas horas após a divulgação da matéria sobre o canil, em Piedade, Sergio Zimerman, presidente da Petz, declarou, no perfil oficial da rede de lojas no Instagram, que “gostaria de compartilhar toda indignação com as cenas horríveis, chocantes”, além de reafirmar que a empresa possui “todo um processo de homologação e fiscalização de criadores”. Apesar de confirmar a existência de um processo que proteja os animais, Zimerman revelou que “alguma coisa deu errado e que alguma coisa falhou”.

“Nós somos apaixonados por pets”. Essa frase é apresentada como um dos valores da empresa Petz. Apesar da resposta rápida, muitos brasileiros devem ter se questionado se realmente a marca é aquilo que ela vende.

Infelizmente, é muito comum os empreendedores deixarem de lado a missão, visão e os valores das suas respectivas empresas. Quando na verdade, todo o planejamento e as ações devem estar vinculados aos princípios e objetivos. Claro, conforme um determinado período, esses objetivos e valores devem ser revistos e, se necessário, alterados.

Marcelo Nieves Ribeiro